27 de novembro de 2012

Uma ajuda: Leitura Orante sobre Is 55,1-3


Estou precisando de uma ajuda de vocês. Preciso preparar uma leitura orante com o Texto de Isaias 55,1-3. Vocês poderiam me dar uma ajuda? Desde já, obrigada abraços Fátima.
Maria de Fátima /Sapucaia (PA)

Fátima,
o texto a que você se refere fala do convite do Senhor, que oferece água e alimento a quem necessitar. Vamos refletir este texto, com o método da Leitura Orante, como você solicitou.


Fazem-se orações introdutórias (invocação ao Espírito Santo)
Vem, Espírito Santo, vem,
vem iluminar.
A nossa vida vem, iluminar.
Nossas famílias, vem, iluminar.
Invocamos também Maria, aquela que tão bem viveu a Palavra:
Ave Maria...

1. Leitura (Verdade)
O que diz o texto?
Leia na Bíblia o texto Is 55,1-3. Tenho aqui o texto da Bíblia, Edição Pastoral:
Deus oferece a vida
1 Atenção! Todos os que estão com sede, venham buscar água. Venham também os que não têm dinheiro: comprem e comam sem dinheiro e bebam vinho e leite sem pagar. 2 Por que gastar dinheiro com coisa que não alimenta, e o salário com aquilo que não traz fartura? Ouçam-me com atenção, e comerão bem e saborearão pratos suculentos, 3 Dêem ouvidos a mim, venham para mim, me escutem, que vocês viverão. Farei com vocês uma aliança definitiva, serei fiel à minha amizade com Davi.
Releia, até, se tiver, em outras versões. Faça ressonância de palavras ou expressões mais fortes. Faça momentos de silêncio para interiorizr a Palavra.


2. Meditação (Caminho)
Neste momento podem-se buscar textos paralelos, em outras citações bíblicas. Um texto que me ocorre neste momento é o da mulher samaritana, em Jo 4, 1-15. No diálogo de Jesus com a samaritana ele fala de uma água viva, fala de uma fonte que jorra de quem beber desta água... Recordo-me também da cena da multiplicação dos pães, em Mc 8,1-9, quando Jesus alimenta quatro mil homens.
No versículo 3 de Isaias, o Senhor diz ainda: "Dêem ouvidos a mim, venham para mim, me escutem..." É outro alimento: a Palavra. Muitos textos podem ser lembrados no Novo Testamento. Lindo o texto de Jo 1,1 e seguintes.
Pode-se ler também um texto da Igreja. Por exemplo: no Documento de Aparecida, 102:
Jesus é o Filho de Deus, a Palavra feita carne (cf. Jo 1,14), verdadeiro Deus e verdadeiro homem, prova do amor de Deus aos homens. Sua vida é uma entrega radical de si mesmo a favor de todas as pessoas, consumada definitivamente em sua morte e ressurreição. Por ser o Cordeiro de Deus, Ele é o Salvador. Sua paixão, morte e ressurreição possibilitam a superação do pecado e a vida nova para toda a humanidade. Nele, o Pai se faz presente, porque quem conhece o Filho conhece o Pai (cf. Jo 14,7).Agora, perguntemo-nos:
O que o texto diz para mim? Para nós? Para o mundo de hoje? Somos coerentes com a Palavra?
Silêncio para um exame de consciência. Pode-se fazer um Ato Penitencial:
- Por nossa mentalidade de alienação, distanciamento das coisas de Deus, por nossa  omissão, Senhor, tende piedade de nós...


3. Oração (Vida)
O que o texto me leva, nos leva a dizer a Deus?
Fazem-se momentos de silêncio e depois podem ser feitas orações espontâneas ou rezar ou cantar um Salmo ou outra oração. Por exemplo:
SALMO 19 (18)
O céu manifesta a glória de Deus, e o firmamento proclama a obra de suas mãos.
O dia passa a mensagem para outro dia, a noite a sussurra para a outra noite.
Sem fala e sem palavras, sem que a sua voz seja ouvida,
a toda a terra chega o seu eco, aos confins do mundo a sua linguagem.
Aí ele pôs uma tenda para o sol,
e este sai, qual esposo de seu quarto,
como herói alegre, percorrendo o seu caminho.
Ele sai de um extremo do céu,
e o seu percurso vai até o outro lado; nada escapa ao seu calor.

A lei do Senhor é perfeita, um descanso para a alma.
O testemunho do Senhor é firme, instrução para o ignorante. 
Os preceitos do Senhor são retos, alegria para o coração.

O mandamento do Senhor é transparente, é luz para os olhos.
O temor do Senhor é puro e estável para sempre.
As decisões do Senhor são verdadeiras e justas igualmente.
São mais desejáveis do que ouro, mais do que ouro refinado.
São mais doces que o mel, que vai escorrendo dos favos.
Com elas, também teu servo se esclarece, e observá-las traz grande proveito.
Quem pode discernir os próprios erros? Purifica-me das faltas escondidas!
Preserva do orgulho o teu servo, para que ele nunca me domine:

deste modo eu serei íntegro, inocente de uma grande transgressão.
Que te agradem as palavras da minha boca, e

o meditar do meu coração chegue à tua presença, Senhor, minha rocha e redentor!


4. Contemplação (Vida)
Pergunte-se: Qual meu novo olhar a partir da Palavra lida, meditada, orada?
Cada pessoa poderá dizer o que sente de novo, o que se propõe para viver melhor a Palavra.
Pode-se terminar com um canto e bênção.

Canto: "A Palavra está perto de ti, em tua boca, em teu coração"
CD Palavras Sagradas do Apóstolo Paulo, Paulinas/COMEP

Benção:
Jesus Divino Mestre seja para ti
a verdade que ilumina,
o caminho da santidade,
a vida plena e eterna.
Que ele te guarde e defenda.
Plenifique de todos os bens
a ti e a todos que amas.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amém.
(Bem-aventurado Tiago Alberione, fundador da Família Paulina)

27 de outubro de 2012

"Que saudade de você!" - Como lidar com a perda?

Está sendo difícil para mim compreender a partida de meu esposo. Sinto dificuldade também em ajudar meu netinho que adorava o vovô. Lúcia

Eu entendo, Lúcia, e me sensibilizo com sua dor e dificuldade. É difícil interpretar e acolher este momento. Difícil para os adultos e, muito mais, para as crianças. Todos nós passamos por estes momentos. Algumas pessoas logo conseguem elaborar a dor, a ausência da pessoa querida. Outras têm mais dificuldade e sofrem muito.

Lembro-me, agora, do senhor Raimundo, uma pessa muito humilde, da COHAB, onde fiz missão em finais de semana, anos atrás. Num momento de oração e reflexão, o presidente da celebração pediu que conversássemos sobre a fé, a vida do cristão, em grupos. Eu era do grupo do senhor Raimundo. E fiquei edificada com o que ele disse, de forma muito simples:

“Quando nascemos, ao sermos batizados, recebemos uma vela que foi acesa. Durante a vida, conforme vivemos nossa fé, esta vela vai se queimando e diminuindo. No momento de nossa morte, ela se apaga. É o que vemos, mas, acreditem, ela não se apaga. Na verdade, é a nossa luz que se mistura com a luz de Deus!”

Que profunda esta definição do Sr. Raimundo sobre a fé, a vida e a  morte. Nunca vou esquecer este testemunho de fé tão verdadeira.
Creio, que é o que você está experimentando agora, Lúcia, mesmo sofrendo, chorando... É o que experimentam  tantas outras pessoas que sentiram partir entes queridos deixando-os surpresos e sem palavras!
Pode dizer, Lúcia,  aos seus amigos e aos familiares, que agora, seu esposo  brilha mais, pois sua luz se mistura com a Luz de Deus. Assim nos garante nossa fé, mesmo se por muito tempo a dor nos fira!

Apontando para a vida eterna, o último livro da Bíblia diz: “Deus estará com eles. Enxugará as lágrimas de seus olhos e não haverá morte nem luto, nem pranto, nem dor, porque tudo o que é antigo terá desaparecido” (Ap 21,2-4).

Seu netinho não tem condições de entender tudo isto. Mas, você pode ajudá-lo a guardar a memória bonita do vovô querido. Tantas coisas podem ajudá-la. Por exemplo, li nestes dias e presenteei uma menininha que chorava de saudade do vovô que partiu, um livro muito interessante, intitulado “Que saudades de você...” de Pat Palmer e Eve Ferreti, Paulinas. A menina se interessou muito e ao lê-lo, se calmou. Este livro ajuda a criança a compreender que tudo se modifica, passa. Nós também. O vovô também.
Ao invés de dizer que o vovô está lá “em cima”, "foi pro céu",  é melhor dizer que ele está "com Deus", nosso grande amigo e, certamente, o maior amigo do vovô. E Deus, portanto o céu, está em toda parte.


O YOUCAT, catecismo da Igreja Católica, ensina: "O Céu é o ambiente de Deus. O Céu não é um lugar no espaço sideral. É um estado. O Céu é onde a vontade de Deus acontece sem resistência. Quando um dia, com a ajuda de Deus, formos para o Céu, estará à nossa espera algo que, como diz São Paulo, "o olho não viu, o ouvido não ouviu e não subiu ao coração humano: o que Deus preparou para aqueles que o amam" (1Cor 2,9).

Ir. Patrícia Silva,fsp



11 de setembro de 2012

Mês da Bíblia

Tania Martins: Gostaria de saber mais sobre o mês da Bíblia: história, temas etc

Como nasceu o Mês da Bíblia?O Mês da Bíblia surgiu em 1971, por ocasião do cinquentenário da Arquidiocese de Belo Horizonte, Minas Gerais. Foi levado adiante com a colaboração efetiva do Serviço de Animação Bíblica – Paulinas (SAB), até posteriormente ser assumido pela Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) e estender-se ao âmbito nacional.

Objetivos- Contribuir para o desenvolvimento das diversas formas de presença da Bíblia, na ação evangelizadora da Igreja, no Brasil;
- Criar subsídios bíblicos nas diferentes formas de comunicação;
- Facilitar o diálogo criativo e transformador entre a Palavra, a pessoa e as comunidades.

Histórico do Mês da Bíblia1971: A celebração do Mês da Bíblia, na Arquidiocese de Belo Horizonte por sugestão e coordenação das Irmãs Paulinas, do Pe. Antonio Gonçalves e de outras pessoas.
1976: Foram visitadas 30 dioceses de Minas Gerais e Espírito Santo propondo o Mês da Bíblia como opção de evangelização, em continuidade à Campanha da Fraternidade.
1978: O Mês da Bíblia se estendeu, oficialmente, ao Regional Leste 2 da CNBB, Minas Gerais e Espírito Santo, e a muitas outras dioceses do Brasil.
1985: Animado pelo Serviço de Animação Bíblica – SAB, o Mês da Bíblia se estendeu a todo o Brasil e a outros países da América Latina.
1997: Com o projeto “Rumo ao Novo Milênio” (RNM), foi proposto o estudo dos quatro Evangelhos, no decorrer do ano.
2001 - 2003: Prosseguiu com o Projeto “Ser Igreja no Novo Milênio”.
2004 - 2007: Continuou com o Projeto “Queremos ver Jesus”.
2008 - 2010: Prosseguiu com Projeto Brasil na Missão Continental “A alegria de ser discípulo/a missionário/a”.
2011: Continua com o Projeto “Brasil na Missão Continental” e de Iniciação à Vida Cristã.
Temas do Mês da Bíblia de 1971 a 2011
01) 1971 Bíblia, Jesus Cristo está aqui
02) 1972 Deus acredita em você
03) 1973 Deus continua acreditando em você
04) 1974 Bíblia, muito mais nova do que você pensa
05) 1975 Bíblia, palavra nossa de cada dia
06) 1976 Bíblia, Deus caminhando com a gente
07) 1977 Com a Bíblia em nosso lar, nossa vida vai mudar
08) 1978 Como encontrar justiça e paz? O livro de Amós
09) 1979 Bíblia, o livro da criação - Gn 1-11
10) 1980 Buscamos uma nova terra - História de José do Egito
11) 1981 Que todos tenham vida! - Carta aberta de Tiago
12) 1982 Que sabedoria é esta? - As Parábolas
13) 1983 Esperança de um povo que luta - O apocalipse de São João
14) 1984 O caminho pela Palavra - Os atos dos Apóstolos
15) 1985 Rute, uma história da Bíblia - Livro de Rute
16) 1986 Bíblia, livro da Aliança - Êxodo 19-24
17) 1987 Homem de Deus, homem do povo - profeta Elias
18) 1988 Salmos, a oração do povo que luta - O livro dos Salmos
19) 1989 Jesus: palavra e pão - Evangelho de João, cap 6
20) 1990 Mulheres celebrando a libertação
21) 1991 Paulo, trabalhador e evangelizador - Vida e viagens de Paulo
22) 1992 Jeremias, profeta desde jovem - Livro de Jeremias
23) 1993 A força do povo peregrino sem lar, sem terra - 1ª Carta de Pedro
24) 1994 Cântico: uma poesia de amor – Cântico dos Cânticos
25) 1995 Com Jesus na contramão - o Evangelho de Marcos
26) 1996 Jó, o povo sofredor - Livro de Jó
27) 1997 Curso Bíblico Popular - Evangelho de Marcos
28) 1998 Curso Bíblico Popular - Evangelho de Lucas
29) 1999 Curso Bíblico Popular - Evangelho de Mateus
30) 2000 Curso Bíblico Evangelho segundo João: luz para as Comunidades
31) 2001 Curso Bíblico Atos dos Apóstolos, capítulos de 1 a 15
32) 2002 Curso Bíblico Atos dos Apóstolos, capítulos 16 a 28
33) 2003 Curso Bíblico Popular - Cartas de Pedro
34) 2004 Curso Bíblico Popular - Oséias e Mateus
35) 2005 Curso Bíblico Popular - Uma releitura do II e III Isaías
36) 2006 Come teu pão com alegria - Eclesiastes
37) 2007 Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom - Gênesis
38) 2008 A Caridade sustenta a Comunidade - Primeira Carta aos Coríntios
39) 2009 A alegria de servir no amor e na gratuidade - Carta aos Filipenses
40) 2010 Levanta-te e vai à grande cidade - Introdução ao estudo do profeta Jonas
41) 2011 Travessia: passo a passo, o caminho se faz (Ex 15,22-18,27) com o lema “Aproximai-vos do Senhor” (Ex 16,9)
41) 2012 Discípulos missionários a partir do evangelho de Marcos
Louvamos e agradecemos a Deus por estes 40 anos de compreensão, vivência e anúncio da Palavra de Deus. Deixemo-nos guiar pelo Espírito Santo para podermos cada vez mais amá-La (cf. Verbum Domini, 5).


Mês da Bíblia 2012
A proposta para o mês de setembro de 2012 é o estudo do Evangelho segundo Marcos associada ao Projeto nacional de Evangelização: O Brasil na missão Continental. Este projeto foi elaborado pela América Latina após a Conferência de Aparecida e reassumido pela Assembléia dos Bispos do Brasil em 2011.
O Evangelho segundo Marcos foi escolhido em sintonia com o ano Litúrgico que estamos vivenciando, o qual, juntamente com o Projeto Nacional de Evangelização, nos ajudará a revisitar os escritos da Comunidade de Marcos, percorrendo os cincos aspectos fundamentais do processo de formação do discípulo missionário: o encontro com Jesus Cristo, a convenção, o discipulado, a comunhão fraterna e a missão.
O tema escolhido pela Comissão Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é: Discípulos Missionários a partir do Evangelho de Marcos, e o lema é: Coragem!Levanta-te!Ele te chama!É a expressão presente na narrativa da cura do cego Bartimeu em Mc 10,49. È um texto relevante em Marcos, que nos mostra cada etapa do processo de discipulado e de seguimento de Jesus Cristo.
Com esse projeto da CNBB e o aprofundamento do Mês da Bíblia, damos um novo passo na nossa ação evangelizadora, em continuidade com as ricas experiências e conquistas da Animação Bíblica no Brasil, que tem por objetivo proporcionar a todos os batizados uma experiência mais profunda da fé cristã, possibilitando um encontro pessoal com Jesus Cristo vivo e, por ele, com o Pai, no Espírito Santo.
  QUEM É O AUTOR?Quem é Marcos? A tradição mais antiga o identifica com João Marcos (At 12,12), acompanhante do apóstolo Paulo (At 13,5. 13; FM 24), primo de Barnabé (CI 4,10), natural de Jerusalém. Ele era cristão convertido do judaísmo e discípulo de Pedro (1 Pe 5,13). Essa tradição remonta a Papias, bispo de Hierápolis (c. de 120-130 E.C.).
Conforme os estudos do Segundo Testamento, o evangelista Marcos ou a sua “escola” teria escrito o evangelho em Roma ou, com maior probabilidade, na região Siropalestinense, entre os anos 65 e 70, imediatamente após a destruição de Jerusalém (cf. Mc 13).
Porém não há como conhecê-lo sem ser mediante os elementos presentes no texto, como sua linguagem, estilo e outros aspectos literários. Marcos escreve de forma simples, numa linguagem muito própria à literatura popular grega. As narrativas são apresentadas de forma bem elaborada e o autor é muito cuidadoso nos detalhes.
Tudo indica que ele era um judeu-cristão de língua grega e aberto á missão universal.
O Subsídio está dividido em quatro temas, preparados para o estudo e aprofundamento destes capítulos, além de uma celebração final para a conclusão dos encontros.

No primeiro tema: O chamado dos primeiros discípulos, “Siga-me”.
O Evangelho segundo Marcos, provavelmente, foi o primeiro texto da catequese das primeiras comunidades. Ele tinha como principal finalidade responder à pergunta: “Quem é Jesus?” e ao mesmo tempo mostrar o que significa ser discípulo.
Os textos para a nossa reflexão (Mc 1,16-20; 2,13-14) têm como cenário a Galiléia. Nesta região cruzavam-se importantes estradas que se dirigiam por todas as direções. É considerada uma terra pagã, pois sua população é bem mesclada entre gregos e os povos da região, resultado de inúmeras invasões. Por isso, é vista com desprezo e desconfiança e na época chamada de a Galileia das nações ou dos pagãos. Porém, para o Evangelho de Marcos é uma região importante, visto que a maioria dos acontecimentos ocorreu na Galiléia e foi lá que Jesus passou a maior parte de sua vida e de seu ministério.
No segundo tema: Quem é Jesus? “Tu és o Messias”.
A pergunta “Quem é Jesus” (cf. Mc 8,27) é o centro do Evangelho segundo Marcos, ponto de chegada da primeira metade do Evangelho. Essa pergunta nasce da necessidade da comunidade de conhecer Jesus, para melhor segui-lo. Dentro da comunidade havia vários questionamentos sobre a pessoa de Jesus. Uns acreditavam que ele fosse João Batista; outros que ele fosse Elias; e outros, ainda, um grande profeta. Por isso o evangelista vai delineando a identidade de Jesus por meio das suas palavras, de suas ações e atividades, para que a própria comunidade pudesse responder a essa pergunta.
No terceiro tema: Coragem! Levanta-te! Ele te chama! “Mestre que eu possa ver novamente”.
Jesus atende à súplica do cego que grita por ele, não obstante à repreensão dos que o acompanhavam, e chama-o. O cego deixa o manto. Isso é revelador se considerarmos que o manto é figura da própria pessoa; era também o que ele tinha para cobrir o seu corpo, a sua segurança. Ele então deixa de lado, de algum modo, sua vida e sua segurança. Com esse gesto O evangelista indica que o cego/discípulo cumpre agora as condições do seguimento: Ele deixa tudo para seguir Jesus, aceitando carregar a cruz e disposto, se preciso for, a dar a vida.
No quarto tema: Aonde nos leva o medo? Como vencer o medo?
Lendo os últimos capítulos do Evangelho segundo Marcos, ficamos impressionados com as atitudes negativas dos discípulos em contraste com o dom total de Jesus. Os doze tinham vivido com Jesus durante um bom tempo, decididos a segui-lo até se realizar o Projeto do Reino de Deus que ele pregava. Jesus lhes tinha avisado o que os esperava: perseguição, sofrimento e morte. Mas também ressurreição.
Na celebração final, aprofundamos a fé. “A tua fé te salvou!”

Fonte: SAB/Paulinas - http://www.paulinas.org.br/sab/mes-biblia.aspx

6 de agosto de 2012

"São" ou "Santo"?

Antonio José Ferreira pergunta:
Por que alguns santos aparecem com o invocativo "São" e outros "Santo"?
Os invocativos “são” e “santo”, causam, às vezes, uma certa confusão.
Segundo os dicionários HouaissAurélio usa-se "santo" diante de nomes que iniciam por vogal ou h (Santo Inácio, Santo Hipólito) e "são" diante de nomes iniciados por consoantes (São Paulo, São Benedito). Já os nomes de santas, vêm sempre com o invocativo "santa" (Santa Inês, Santa Brígida, Santa Maria, Santa Rita, Santa Paulina). Paulinas dispõe de uma página na internet intitulada "Santo do Dia" - http://www.paulinas.org.br/diafeliz/santo.aspx  e de um libro  intitulado: Os Santos de cada dia.  Conheça.

31 de maio de 2012

A vida religiosa está em crise? (Paula S.)

Paula, muito oportuna sua pergunta. Fomos buscar numa pessoa experiente em vida religiosa, a resposta à sua questão. Trata-se do Pe. Alfredo Gonçalves, sc. Ele fala de crise ou encruzilhada. Veja

Permitam-se insistir no binômio - Vida religiosa: Crise ou encruzilhada -  para avançar a ideia de que a Vida Religiosa (VR) não está em crise, mas numa encruzilhada. O mesmo se poderia dizer, por exemplo, da Teologia da Libertação (TdL) e da “opção preferencial pelos pobres”, das CEBs como Igreja de Base, das Pastorais e Movimentos Sociais... Enfim de todas as forças que, de uma forma o de outra forma, “mexem” com as questões sociopolíticas e apontam um horizonte de novas alternativas. Mas neste espaço vamos nos restringir à VR, com ligeiras alusões a outros campos de atuação pastoral.
1.      Crise
Neste contexto, entendo por crise um período de abatimento e escuridão. Sinônimos disso podem ser, entre outras, as noções de perplexidade, desânimo, desencanto e apatia, tendência para a inércia paralizante. Em alguns casos mais agudos, o desespero pode bater à porta e prostrar definitivamente qualquer tipo de iniciativa. Toda crise – seja ela de ordem pessoal ou familiar, quanto comunitária ou institucional – costuma levar-nos ao “berço ou ao colo da mãe”. Por mais crescidos e amadurecidos que sejamos, jamais nos esquecemos dos braços protetores da infância. É o momento em que o pranto inunda o coração, a desilusão entorpece os membros e as lágrimas obscurecem qualquer tipo de reação. A crise, em seu primeiro impacto, nos deixa cegos e surdos a todo apelo vindo de fora.
Três testemunhos bíblicos podem ilustrar essa passagem dolorosa pelo reino das trevas. Comecemos com o profeta Elias. Após caminhar longamente pelo deserto, bate-lhe o cansaço e a crise. As exigências e desafios da missão o prostram, levando-o a um sono que mais parece o repouso da morte: “Sentou-se debaixo de uma árvore e desejou a morte, dizendo: ‘Chega, Javé! Tira a minha vida, porque eu não sou melhor que os meus pais’. Deitou-se debaixo da árvore e dormiu (1Rs 19, 4-5).
Passemos ao profeta Jonas. Trata-se de um especialista em driblar a missão a que é enviado em Nínive: converter a cidade dos pagãos ninivitas, inimigos número um de Israel. Cidade que é a verdadeira morada do pecado. Nacionalista doentio e determinado, Jonas foge do rosto de Deus para se esquivar da cidade maldita. A fuga, tanto quanto a mentira, depois de iniciada terá que ser mantida. A tempestade em alto mar, reflexo de uma mente perturbada e de um coração angustiado, leva o profeta a lançar-se nas águas profundas. Não tendo mais para onde escapar, foge de si mesmo, sendo engolido por um peixe . Símbolo clássico do retorno consciente ou inconsciente ao ventre materno. A crise o leva a anular-se completamente, a ponto de desejar nem sequer ter nascido (Jn 1 – 2,2).
Por fim, o profeta Jeremias. De todos, é o mais explícito na manifestação dramática da crise que o toma por completo: “Maldito seja o dia em que nasci. Que jamais seja bendito o dia em que minha mãe me deu à luz! Maldito o homem que levou a notícia a meu pai, dizendo: ‘nasceu um filho homem para você!’, enchendo-o de alegria. Que essa pessoa sofra igual às cidades que Javé destruiu sem compaixão; ouça gritos pela manhã e rumores de guerra ao meio-dia. Por que não me fez morrer no ventre materno? Minha mãe teria sido a minha sepultura, e seu ventre estaria grávido para sempre! Por que saí do ventre materno? Só para ver tormentos e dores, e terminar meus dias na vergonha?” (Jr 20,14-18).
A lista poderia prolongar-se com outras personagens, tais como Abraão e Jacob, Moisés e Isaías, Maria e Isabel, Pedro e Paulo e até o próprio Jesus em Nazaré e no Getsêmani. É o momento da queda, da dúvida, das perguntas que brotam do mais íntimo da experiência humana. Perguntas momentaneamente sem resposta, sem remédio e sem solução. Inquietudes que emergem na noite escura, das entranhas mais recônditas, dos cantos selvagens e desconhecidos da alma. Poderíamos nos remeter, ainda, às experiências místicas de São João da Cruz ou de Santa Tereza D’Ávila, entre tantas outras. Numa palavra, trata-se do lado negativo da crise.
2.      Encruzilhada
A crise, porém, qualquer que seja, é notoriamente ambígua. A ambiguidade é um dos ingredientes constitutivos de toda prostração. Diz o ditado que, a exemplo do vaso, é na queda que o ser humano revela sua resistência. Encruzilhada aqui é o momento de enxugar as lágrimas, aliviar o peito e erguer a cabeça. Como nos lembra a canção popular, “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. Hora de partir para outra! Nesta perspectiva, a encruzilhada pressupõe um duplo contexto: bifurcação de caminhos, por parte da realidade objetiva; escolha e novas opções, por parte dos protagonistas. Passada a cegueira e a surdez do impacto mais crítico, novos horizontes se abrem. Ao lado negativo da crise, sobrepõe-se seu lado positivo.
De fato, se é verdade que a crise leva ao berço, ao colo da mãe ou até ao anular-se no seu ventre, a encruzilhada aponta para a fronteira. No primeiro instante, o medo, o fracasso e a impotência procuram um refúgio oculto de tudo e de todos, paralisam a ação ou reação. Depois, com os olhos desanuviados, os membros retomam seu vigor e o caminho recomeça. A encruzilhada é o trampolim para transpor limites, buscar a superação de cada obstáculo. Neste sentido, a crise, embora possa deixar os fracos irremediavelmente no berço, costuma levar os fortes a novas fronteiras. È terreno fecundo, deserto fértil, escuridão pontilhada de estrelas. Um parto e um desafio ao crescimento. Convém não esquecer, contudo, que todo nascimento e crescimento ocorrem em meio à dor.
Voltemos aos três exemplos bíblicos. No caso de Elias, diz o texto que, em meio ao sono, “um anjo o tocou e lhe disse: ‘levanta-te e come’. O profeta abriu os olhos e viu bem perto da cabeça um pão assado sobre pedras quentes e uma jarra de água. Comeu, bebeu e deitou-se outra vez. Mas o anjo de Javé o tocou de novo e lhe disse: ‘levanta-te e come, pois o caminho é superior às tuas forças’. Elias levantou, comeu, bebeu, e, sustentado pela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até o Horeb, a montanha de Deus” (1Rs 19, 5-8). O profeta passa da crise à encruzilhada. Mas o faz não pelas próprias forças. O anjo de Deus o ajuda a reerguer-se e a pôr-se em marcha. Vale aqui a pergunta: em nossas crises pessoais ou coletivas, quantas vezes não contamos com o toque de um ano de Deus? Um amigo ou amiga, um formador ou formadora, uma situação flagrante de injustiça... Enfim, algo ou alguém que nos desperta da letargia, nos sacode, nos nutre com uma palavra de ânimo e nos mostra o caminho. Uma luz que brilha em meio à escuridão!
Em Jonas não se fala de anjo, mas de uma oração profunda, ao mesmo tempo atormentada e esperançosa: “Na minha angústia invoquei a Javé, e ele me atendeu. Do fundo do abismo pedi tua ajuda, e ouviste a minha voz. Jogaste-me nas profundezas, no coração do mar, e a torrente me envolveu. Passaram sobre mim as tuas ondas e vagas. Então pensei: ‘eu fui expulso para longe dos teus olhos; nunca mais poderei admirar a beleza do teu santo Templo’. Eu estava cercado de água até o pescoço, o abismo me rodeava, um lodo se agarrava à minha cabeça. Desci até as raízes das montanhas, a terra se fechava sobre mim para sempre. Mas tu retiraste da fossa a minha vida, Javé, meu Deus” (Jn 2, 3-7). Desse reencontro com Deus e consigo mesmo, resulta um renascimento: “Então Javé mandou que o peixe vomitasse Jonas em terra firme” (jn 2, 11). Do berço e do desespero, o profeta avança para a encruzilhada ou a fronteira, justamente a cidade de onde havia fugido, Nínive.
Jeremias, por sua vez, tem uma trajetória mais complexa. Carrega uma experiência interior tão marcante que o resgate de seu ardor missionário como que precede a própria crise. “Tu me seduziste, Javé, e eu me deixei seduzir. Foste mais forte do que eu e venceste” (Jr 20, 7a). A motivação é forte demais para que a crise o deixe prostrado por terra, ainda que se veja perseguido o tempo todo: “Sirvo de piada o dia todo e todo mundo caçoa de mim. Quando falo é aos gritos, clamando: ‘Violência, opressão!’ A palavra Javé ficou sendo para mim motivo de vergonha e gozação o dia todo. Eu me dizia: ‘Não pensarei mais nele, não falarei mais no seu nome’. Era como se houvesse no meu coração um fogo ardente, fechado em meus ossos. Estou cansado de suportar, não agüento mais!” O “fogo ardente” que incendeia seu coração faz lembrar o episódio dos discípulos de Emaús: “Não estava o nosso coração ardendo quando ele nos falava pelo caminho e nos explicada as Escrituras?” (Lc 24, 32). Em ambos os casos, o toque do anjo ou a lembrança do Ressuscitado bastou para dar asas a seus pés.
3.      Fonte de água viva
Com base nos itens acima – crise e encruzilhada -  conclui-se que a Vida Religiosa sofre no corpo e na alma a ambiguidade desse binômio. Em meio a uma Igreja que, por vezes, parece utilizar as celebrações do cinquentenário do Concílio Ecumênico Vaticano II, não para avançar em suas propostas, mas para neutralizar sua força inovadora, a VR vê-se dilacerada por dúvidas e perguntas, incertezas e inquietudes.  Se é verdade que o Vaticano II representou um sopro do espírito pelas janelas abertas da Igreja, sangue novo no organismo com sinais de esclerose, oxigênio primaveril numa instituição com risco de caminhar para o outono, também é certo que, ao completar 50 anos, muitos setores da Igreja pretendem ignorar a veemência profética de seus documentos.
Resulta que não poucas Congregações  oscilam atualmente entre o berço e a fronteira. Nota-se, entretanto, que o pêndulo se desloca com maior força para a fronteira. Constata-se isso numa série de “re” que hoje entra na pauta de qualquer encontro sobre o VR: re-fundação, re-novação, re-estruturação, re-definição...  O mesmo se pode dizer da expressão “fidelidade criativa”, tão frequente nos corredores, salas e casas de muitas Congregações. Para usar um ditado popular, grande parte dos religiosos e religiosas deixou de “lamentar o leite derramado”, levantou a cabeça, abriu os olhos, oxigenou o coração, passando a vislumbrar as alternativas possíveis em meio à crise/encruzilhada. Ou seja, encontram-se decididamente na segunda fase do binômio. Começam a ver com certa clareza que os caminhos se bifurcam e exigem novas opções. Mais ainda: vão se dando conta que, no fundo, centenas e milhares de iniciativas populares já apontam caminhos novos e diferentes. Alternativas, tais como, a economia solidária, os desafios do meio ambiente, a necessidade de novas relações, a fecundidade da vida inserida, a presença nos porões mas inóspitos da sociedade, o valor dos pequenos gestos, o entrelaçamento entre os desafios locais e a perspectiva das transformações globais...
Em se tratando da VR, uma tríplice fonte nutre e fortalece a passagem da crise à encruzilhada: o seguimento de Jesus Cristo, o carisma do fundador(a) e o clamor dos pobres e excluídos. Mas pode haver uma armadilha oculta nesse ato de voltar-se para o Evangelho, para a trajetória da Congregação e para a realidade que nos rodeia. A armadilha é fazer da fonte um museu ou um folclore e passar a viver das glórias do passado. Em momentos de crise, o saudosismo pode insinuar-se como ratoeira tentadora. Vale, a esse respeito, definir o que se entende por seguimento – de Jesus, do fundador(a), em vista do serviço aos pobres.
Seguir não é imitar, mas recriar. A própria espiritualidade da Imitação de Cristo (Tomaz Kempis), tão reeditada e divulgada, explícita ou implicitamente, reconhece essa necessidade de transpor os limites da simples repetição daquilo que fizeram os antepassados. Imitar pode ser a forma mais ingênua de trair, pois os desafios históricos se renovam dia-a-dia. É a via rápida e imediata de multiplicar gestos que, não raro, sofrem de um anacronismo notório e escandaloso. Recriar para os desafios atuais a Boa Nova do Evangelho e o carisma de uma Congregação torna-se uma via muito mais lenta, longa e laboriosa. Exige atenção permanente aos “sinais dos tempos”, leitura atualizada da realidade e respostas que envolvam os verdadeiros protagonistas da história, as camadas de baixa renda e excluídas, os pobres do Evangelho.
A crise ainda nos deixa perplexos e prostrados, sem dúvida, mas para muitas Congregações se abrem as janelas da encruzilhada. Que o diga, por exemplo, o lema De olhos fixos em Jesus da Conferência Nacional dos Religiosos do Brasil (CRB); o trabalho de re-visitar os fundadores e fundadoras das respectivas Congregações; e, por fim, mas não em último lugar, as novas experiências de inserção que revitalizam a “opção preferencial pelos pobres”. Que o diga, igualmente, a teimosia com que se põe em marcha o trem das CEBs; o aprofundamento da Teologia da Libertação, incorporando novos elementos teóricos; a insistência e resistência das Pastorais e Movimentos Sociais, não obstante a criminalização das organizações de base por parte de amplos setores da sociedade.

27 de abril de 2012

Pode um deficiente mental receber a comunhão eucarística? (Maria Lúcia)

Maria Lúcia,
recentemente, na Itália, um Padre negou a comunhão a um menino deficiente de dez anos que sofre de uma grave deficiência mental. O menino não seria, segundo o sacerdote, capaz de compreender o mistério da Eucaristia.
A decisão de Piergiorgio Zaghi, pároco de Porto Garibaldi, em Ferrara, na Itália, que havia falado sobre isso em uma homilia, dividiu os paroquianos e provocou um forte debate. Os leigos da cidade condenaram o comportamento do sacerdote, enquanto os paroquianos se dividiram entre aqueles que se dizem próximos à escolha do pároco (lembrando também o fato de que os pais estão divorciados e não o acompanham continuamente à missa e à catequese) e aqueles que estão mais perplexos, referindo-se também ao apelo do papa para garantir a Eucaristia, na medida do possível, mesmo aos deficientes mentais.
"É incrível que essas coisas aconteçam". O Pe. Andrea Gallo não usa meias palavras ao comentar a notícia do pároco da província de Ferrara que pulou na fila da Eucaristia um menino com limitação mental. A comunhão é um "momento altíssimo", em que "o corpo de Jesus é 'partido' para todos, em que se diz do sangue 'bebam todos'", explica Pe. Gallo. "Tomemos o exemplo das primeiras comunidades cristãs: naquela época não havia a hóstia, mas sim o pão que justamente se partia para todos. Nesse gesto, as migalhas que restavam eram também dadas a todos os presentes. E, depois, este menino também havia participado da catequese".
Segundo o Pe. Gallo, "mesmo que o menino tivesse dificuldade para engolir, esse problema poderia ser superado, imagine... Ele andava em um corpo martirizado, sofredor. Quem pode dizer qual é a verdadeira e real  linguagem e compreensão de um deficiente? Às vezes, eles falam com um gesto, com os olhos".
O Pe. Gallo encontra "deficientes mentais todos os dias. Eles falam com os olhos, com pequenos gestos. O pároco diz que era importante entender se o menino intuía a dimensão do sacramento? Eu só estou dizendo que não se podia excluí-lo com esse gesto. Quem me diz, ao contrário, que aqueles que fazem a comunhão a entendem? Pode acontecer, até mesmo comigo, que a fé possa vacilar: mas depois eu me confio a Jesus, porque o amor não exclui ninguém. Como reparar este dano? dando-lhe o pão, pondo-o no centro, fazendo-o entender que ele não está excluído de nada".
Para o Pe. Giovanni Ramonda, responsável da Comunidade João XXIII, fundada pelo Pe. Benzi, "como a uma criatura predileta pelo Senhor é negado o seu corpo e o seu sangue. Fiquemos atentos para não filtrar os mosquitos e engolir os camelos. Como dizia o Pe. Benzi, os deficientes são 'anjos crucificados'".
O episódio foi definido como "absurdo, não apenas no plano ético, mas principalmente no que diz respeito aos direitos fundamentais reconhecidos às crianças", diz o sociólogo Antonio Marziale, presidente do Observatório dos Direitos dos Menores. "Estou transtornado com o episódio – disse – que denuncia um estado de obscurantismo cultural digno do pior da Idade Média". A decisão foi duramente criticada também pela associação de católicos progressistas Nós Somos Igreja. "Em Porto Garibaldi – disse o coordenador regional Giuliano Bianco – tem-se a impressão de que a Igreja perdeu de vista a presença real de Cristo na Eucaristia: quem sonharia em proibir a uma mãe e a um pai, que levam o seu filhinho, incapaz de entender e de querer, diante da presença de Jesus de se aproximar, de tocar e de receber o Salvador?".

O ''sim'' do papa aos deficientes
Bento XVI, na exortação apostólica de 2007 Sacramentum Caritatis apaga qualquer dúvida sobre a comunhão dos deficientes.
A nota é de Giacomo Galeazzi, publicada no blog Oltretevere, 12-04-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O santo papa Pio X havia fixado uma idade limite para a primeira comunhão: pode receber a Eucaristia quem é capaz de distinguir o Pão de Deus do pão material. E, por isso, é melhor esperar os 9-10 anos para administrar o sacramento, mesmo que a Igreja Católica jamais condenou a prática consolidada nas comunidades orientais de conceder a comunhão logo depois do batismo, ou seja, a bebês recém-nascidos.
Bento XVI, na exortação apostólica de 2007 Sacramentum Caritatis, apaga todas as dúvidas. "Seja garantida também a comunhão eucarística, na medida do possível, aos deficientes mentais, batizados e crismados: eles recebem a Eucaristia na fé também da família ou da comunidade que os acompanha", esclarece Joseph Ratzinger, pontífice teólogo e pastor. E o "na medida do possível" se refere a uma possibilidade física, não mental (por exemplo, se os deficientes conseguem engolir e ingerir a hóstia ou não).

11 de abril de 2012

Retirar o crucifixo das repartições públicas?


 Rute Costa pergunta: por que querem tirar o crucifixo das repartições públicas, tribunais....?

Joel Pinheiro da Fonseca, mestrando em Filosofia, é diretor da revista cultura Dicta&Contradicta, Gazeta do Povo – PR, escreveu muito bem sobre isso num artigo intitulado "O crucifixo no banco dos réus".
Acredito que aqui, Rute, você encontre uma bonita resposta. Eis o texto:
"Estão tirando os crucifixos dos tribunais. Tudo em nome do Estado laico. Não sou jurista; não sei dizer se o crucifixo viola nossa legislação. Proponho, então, analisar o conceito de Estado laico e comparar diferentes aplicações possíveis dele à luz da razão.
Estado laico é aquele que não tem vínculos institucionais com nenhuma religião e que é regido por leis cuja autoridade não se deriva de nenhum artigo de fé. Isso convive muito bem com expressões de fé, pois o Estado pode reconhecer que diversas crenças são socialmente positivas e de acordo com os valores do próprio Estado, e assim acolhe suas manifestações. o caso dos EUA, primeiro Estado laico e que mantém uma estrita separação entre governo e igrejas: lá não se vê contradição entre a laicidade e o fato do presidente participar de orações públicas (embora em outras áreas um secularismo mais raivoso esteja ganhando espaço). Obama, no último National Prayer Breakfast, afirmou que sua fé cristã está por trás de suas visões sobre a economia. Nada disso compromete a Constituição ou a total isenção dos tribunais.
O Estado laico benevolente reconhece sua própria história e tradições, sem por isso torná-las normativas. A fé ou ausência dela é uma questão individual que naturalmente transborda para a arena pública. Impedir esse movimento natural é impedir que os homens vivam de acordo com suas crenças.
A alternativa ao laicismo harmônico é o antagônico. Para esse Estado laico (ou seria ateu?), a religião não existe e não deve chegar perto dele. Portanto, tirem-se os crucifixos dos tribunais. Abolam-se também os feriados religiosos – Páscoa e Natal inclusos, claro – bem como o descanso de domingo. Mudemos os próprios nomes dos dias da semana, que, em português, seguem a nomenclatura dada pela Igreja; criemos nomes laicos. Tiremos também as marcas não cristãs, como a estátua da Justiça personificada com sua balança, que nossa sociedade, quando era oficialmente cristã, nunca fez questão de erradicar, mas que é inaceitável para o novo ideal de laicidade. Criemos a ficção de que a cultura e as instituições públicas sejam perfeitamente separáveis.
Voltando à sanidade, há bons motivos para o crucifixo figurar no tribunal? Há. O primeiro é que nossa sociedade é, histórica e atualmente, cristã. Seus símbolos são parte de nossa cultura. Isso não impede, inclusive, que símbolos de outras religiões também integrem o tribunal de uma região em que sejam relevantes.
Ademais, nossa tradição jurídica passa pelo cristianismo e pela Igreja Católica. Nossas ideias de justiça e de que todos os seres humanos são iguais, independentemente de raça, sexo ou classe social, têm origem cristã. Também não foram poucos os esforços da Igreja romana em substituir os verdadeiramente bárbaros julgamentos por ordália (os famosos testes de inocência ou culpa que dependiam de algum efeito natural) dos povos convertidos pelo julgamento racional com evidências e testemunhas. E por mais incrível que pareça, os tribunais eclesiásticos foram pioneiros em coibir a confissão sob tortura.
Nada disso nega ou diminui a importância do direito romano, originado numa civilização não cristã, e cujos símbolos continuam a povoar nossos tribunais e a colorir nosso mundo jurídico. Por essas e outras influências, aqui estamos nós e nossas instituições. Por que não celebrar sua história e seu presente?
Há quem veja no crucifixo um fator ofensivo a não cristãos. Supondo que alguém de fato se ofenda, isso revela mais sobre ele, e sobre a fragilidade vaidosa que nossa sociedade tem cultivado, do que sobre o crucifixo. A Justiça brasileira já não depende da fé cristã para que aceitemos seus critérios. Ir além disso e retirar o símbolo da religião que se coaduna a esses critérios é exigir que toda uma cultura se apague só para que eu não seja, em momento algum, lembrado da existência de credos que não professo.
O Estado laico não precisa ser inimigo da religião, e nem precisa fingir que ela não existe. Faz todo sentido que os crucifixos estejam nos tribunais, embora não seja nenhum crime contra a humanidade se eles não estiverem. Que isso tenha virado questão é mais sério, por ilustrar o caráter beligerante de nosso secularismo, do que a questão em si."
O que mais podemos acrescentar?

5 de março de 2012

Exorcismo, o que é?

Preciso de informações sobre exorcismo na igreja católica apostólica romana, se existem padres que façam e onde encontrá-los. Aguardo uma resposta. Obrigada.
Maria Cristina L. de Q.

Em primeiro lugar, o que é exorcismo?
O termo exorcismo (em grego: exorkismós, "ato de fazer jurar", em latim: exorcismu) designa o ritual executado por uma pessoa devidamente autorizada para expulsar espíritos malignos (ou demônios) de outra pessoa que acredite estar num estado de possessão demoníaca. Pode também designar o ato de expulsar demônios por intermédio de orações.
Jesus praticou o exorcismo. Veja por exemplo, no Evangelho de Marcos (Mc 1,21-28), quando Jesus cura um endemoninhado. Entre os gadarenos (Mc 5, 1-29)  ele expulsa uma legião de demônios que possuiam um homem. Noutra ocasião (Mc 9,14-29), Jesus expulsou de um menino, um "espírito mudo" que quando o apanhava, o menino espumava, rangia os dentes, caia por terra agitando-se. Jesus o libertou e os discípulos perguntaram-lhe: "Por que  nós não conseguimos expulsá-lo?" Jesus disse-lhes: "Esta espécie de demônios só se expulsa com jejum e oração".
Bem diferente é o caso de doenças, sobretudo psíquicas, como histeria, mania, psicose, epilepsia, esquizofrenia ou transtorno dissociativo de identidade. 
Há que se dintinguir o que é possessão e o que é doença. Por isso, quando surge um possível caso de possessão diabólica, a Igreja faz um processo de investigação. É necessário  primeiro esclarecer se a pessoa sofre de algum problema de saúde mental, e todas as hipóteses humanas são investigadas. Constatado que se trata realmente de um caso de possessão verdadeira, a Igreja indica um exorcista.
Exorcista
Em 1973, foi produzido um filme adaptado do livro de William P. Bletty, de 1971, o qual fala de um padre que exorcisou um demônio que possuiu uma garota. O fime ganhou cinco sequencias ao longo dos anos, seu título é O Exorcista.
Como aparece no filme,  exorcista é "o que expulsa espíritos maus". Do grego, exorkismos, significa "expulsão".

 Principal causa de possessão
Padre Gabriele Amorth, sacerdote mundialmente conhecido com o lançamento de sua obra 'Um exorcista conta-nos', em 1990, diz que "a falta de fé é a principal causa do aumento do poder satânico no mundo atual. Examinando toda a história do Antigo Testamento, a história de Israel, quando se abandona Deus, entrega-se à idolatria. É matemático, quando se abandona a fé, entregamo-nos à superstição. Isto acontece em nossos dias, no mundo ocidental".

Sacerdotes exorcistas
Existem sacerdotes exorcistas. A melhor forma de encontrá-los é procurar informação junto ao pároco da comunidade que você frequenta.

Ritual de Exorcismos


Sugestões de leitura
Jesus milagreiro e exorcista
Luis Schiavo e Valmor da Silva
Jesus foi o maior milagreiro de sua época. Os Evangelhos contêm mais de 200 referências à atividade milagrosa de Jesus: seis histórias de exorcismos, 17 diferentes histórias de curas, incluindo ressurreições de mortos, e oito assim chamados milagres da natureza.
Jesus, milagreiro e exorcista apresenta Jesus como homem preocupado com a saúde integral - física, psicológica, social, intelectual e espiritual - das pessoas. Isso explica por que ele realizou tantas curas e exorcismos.
  



Luís Schiavo
Valmor da Silva

- Jesus exorcista
Irineu Rabuske
O problema da possessão demoníaca e das práticas exorcistas readquire vigor e atualidade. Prova disso é a expulsão de demônios praticada por grupos e seitas, que se baseiam em uma compreensão fundamentalista do texto bíblico. Assim, o objetivo deste livro é analisar a atividade pública do Jesus histórico que consiste em libertar as pessoas oprimidas por espíritos impuros.
Nos evangelhos sinóticos atesta-se que Jesus imprimiu um significado especial em seus exorcismos: eles são o sinal de que o Reino de Deus está se aproximando.   

1 de março de 2012

Um marginal é meu irmão?

Como posso compreender e admitir que um marginal seja meu irmão? (Lucas, São Luis/Ma)

Sua pergunta, Lucas,  nos remete a uma interessante reflexão. Esta reflexão me faz lembrar o texto do conhecido Padre Zezinho, scj. Leia-a e creio, vai ajudá-lo.

Nosso irmão, o caramujo Pe. Zezinho, scj

O menino Tony, de seis anos, era cheio de perguntas filosóficas. Um dia, agachado, a olhar um caramujo na horta, perguntou à mãe:
- A sra. sabia que Deus criou este caramujo? A mãe disse que sim. E ele arrematou:
- Então não podemos matar este caramujo, porque ele é nosso irmão...
É que a mãe havia falado dois dias antes que acabaria com as formigas e os caramujos da horta... E agora? Explicar que há irmãos que podemos matar e irmãos que não podemos matar? Como é que ficaria aquela cabecinha? Levou três dias para convencê-lo que caramujos matam pessoas e não há como mantê-los vivos perto de uma casa. Ela precisava escolher entre seus três filhos e os caramujos... Mas não acabou aí. O Tony agora queria saber porque Deus cria filhos que matam os outros, como o leão, a jibóia, a cobra venenosa e o caramujo doente. Quando Dona Jacy me procurou, rindo, eu lhe disse que as perguntas do seu filho derrotariam todos os pregadores e teólogos de todas as igrejas. Ninguém de nós tem essas respostas. No máximo, poderemos perguntar com ele, mas de maneira mais adulta.
Criou... Esta expressão catequética de todas as religiões que acreditam num Deus Criador, entra na mente do fiel como informação. Mas, se o fiel começar a pensar sobre a importância de ter sido criado, por um Ser Infinito que deu origem a todos os astros e seres que existem, então começa a sentir que, pequeno como é, foi pensado por um Ser Infinito. Ao me criar como indivíduo, e ao nos criar juntos, uns para os outros, Deus criou a unidade e a totalidade. Quando, portanto, eu digo que Deus nos criou, estou me colocando dentro do concerto da criação, e faço parte do mesmo projeto de Deus, do qual também faz parte o molusco, o verme, a baleia, a foca, o cisne, a águia, o cavalo e outros seres não humanos. Também sou irmão dos anjos e dos arcanjos e de qualquer ser que exista em qualquer canto do Universo e em qualquer "ângulo" do Céu, que por sinal, não tem nem ângulos, nem esquinas.
Sou também irmão de um ser humano inteligente e amoroso, da mesma forma que sou irmão de um ser humano pecador e cruel. Deus criou a todos. Em algum momento da jornada, as pessoas e os animais se modificam, mas foi Deus quem os criou. Ele poderia destruir o primeiro sujeito que desobedecesse a sua lei, mas continua criando esta pessoa. O Deus que nos criou aposta em nós. Por isso, além de Criador, Deus é educador e formador. Mais do que qualquer ser, Ele aposta em nós. Se não apostasse, nos mataria a cada crime nosso. Se deixa viver o criminoso, o bandido, o assaltante, é porque Deus tem um projeto. Nunca O entenderemos, mas Deus sabe porque faz o que faz.
Se permite que um inocente morra, Ele deve saber porque permite. Esta pessoa amargou uma dor gigantesca, que nós não sabemos explicar, mas Deus deve saber o que fazer com o sofrimento que Ele também não quis. Só que tem que Ele sabe trabalhar esse sofrimento, e nós não. Aí já é um assunto para outra reflexão. Por que Deus não se antecipa sempre? Quem nos criou sabia porque e quando vem o sofrimento e sabe porque continua nos criando e amando o assassino que não O ama nem ama o que Ele criou. Todo o sujeito que mata desafia o Criador. Por isso o seu crime pesa tanto. Caim carregou na fronte este sinal porque foi um desafio ainda maior do que o de Adão e Eva. Por isso, Caim disse que seu castigo era maior do que ele poderia suportar (Gn 4,13). Adão e Eva tentaram se apossar do Bem e do Mal para serem como Deus, mas Caim matou e agiu como quem era maior do que Deus. Decidiu que seu irmão deveria morrer. Desde então todo aquele que mata ou manda matar corre o risco da maldição e de carregar um castigo que não terá como suportar. Brincou de des-criar o que Deus criou...
O ser inteligente que me criou e criou a você, tem um projeto que nunca entenderemos, mas Ele sabe porquê. Para quem tem fé, isto basta. Pensando bem, não é tão humilhante ser irmão de um caramujo. O que nos dignifica não são os irmãos que temos, mas o Criador que nos fez.

O que acontece, Lucas, que em nosso mundo, muita gente, como Caim,  continua a "des-criar" o que Deus criou. Fica difícil aceitarmos que um "marginal" seja nosso irmão. A sociedade muitas vezes marginaliza, condena, exclui e não sabe mais rezar o Pai NOSSO. Esquece que somos todos irmãos.
 <P>

31 de janeiro de 2012

Significado dos documentos do Vaticano II

O que significam os documentos do concílio do vaticano segundo para a nossa igreja nos dias de hoje ? Poderíamos afirmar que todos os documentos do Concílio Vaticano II são para os dias de hoje?Sabe por que?
jurandir fernandes vieira

Os assuntos tratados e os documentos publicados pelo Vaticano II são de uma grande atualidade. São como uma grande resposta às interrogações de hoje.
O que significam os documentos deste Concílio? Veja, primeiro, o que disse o Papa João XXIII que iniciou

O Concílio Vaticano II foi aberto em 11 de outubro de 1962 pelo papa João XXIII, e concluiu em 7 de dezembro de 1965, pelo papa Paulo VI. Neste dia o papa João XXIII disse: "Todos os Concílios celebrados na história, tanto os 20 Concílios Ecumênicos, como os inúmeros Provinciais e Regionais, também importantes, testemunham claramente a vitalidade da Igreja Católica e constituem pontos luminosos da sua história." E disse mais o Bom Papa, no seu discurso inaugural:
"Ao lado dos motivos de alegria espiritual, é também verdade que sobre esta história se estende ainda, por mais de 19 séculos, uma nuvem de tristeza e de provações. Não é sem motivo que o velho Simeão manifestou a Maria, Mãe de Jesus, aquela profecia, que foi e permanece verdadeira:  « Este menino está posto para ruína e para ressurreição de muitos, e será sinal de contradição » (Lc 2, 34). E o próprio Jesus, chegando à idade adulta, fixou bem claramente a atitude que o mundo havia de continuar a tomar perante a sua pessoa através dos séculos, ao pronunciar aquelas palavras misteriosas: « Quem vos ouve, a mim ouve » (Lc 10, 16); e com aquelas outras, citadas pelo mesmo evangelista: « Quem não está comigo, está contra mim; e quem não recolhe comigo, desperdiça » (Lc 11, 23).
O grande problema, proposto ao mundo, depois de quase dois milênios, continua o mesmo. Cristo sempre a brilhar no centro da história e da vida; os homens ou estão com ele e com a sua Igreja, e então gozam da luz, da bondade, da ordem e da paz; ou estão sem ele, ou contra ele, e deliberadamente contra a sua Igreja: tornam-se motivo de confusão, causando aspereza nas relações humanas, e perigos contínuos de guerras fratricidas.
Os Concílios Ecumênicos, todas as vezes que se reúnem, são celebração solene da união de Cristo e da sua Igreja, e por isso levam à irradiação universal da verdade, à reta direção da vida individual, doméstica e social; ao reforço das energias espirituais, em perene elevação para os bens verdadeiros e eternos. "
(Se quiser, leia na íntegra o discurso do papa João XXIII e o do papa Paulo VI,  neste blog. No menu: Vaticano II).

Quais são os documentos publicados pelo Vaticano II?
Veja o título dos 16 documentos do Vaticano II  e sobre o que trataram:

Constituições 
Dei Verbum - SOBRE A REVELAÇÃO DIVINA
  Lumen Gentium - SOBRE A IGREJA
  Sacrosanctum Concilium - SOBRE A SAGRADA LITURGIA
  Gaudium et Spes - SOBRE A IGREJA NO MUNDO ATUAL

Declarações  
Gravissimum Educationis - SOBRE A EDUCAÇÃO CRISTÃ
  Nostra Aetate - SOBRE A IGREJA E AS RELIGIÕES NÃO-CRISTÃS
  Dignitatis Humanae - SOBRE A LIBERDADE RELIGIOSA

Decretos
Ad Gentes - SOBRE A ATIVIDADE MISSIONÁRIA  DA IGREJA
Presbyterorum Ordinis - SOBRE O MINISTÉRIO E A VIDA DOS SACERDOTES
Apostolicam Actuositatem - SOBRE O APOSTOLADO DOS LEIGOS
Optatam Totius - SOBRE A FORMAÇÃO SACERDOTAL
Perfectae Caritatis - SOBRE A CONVENIENTE RENOVAÇÃO DA VIDA RELIGIOSA
Christus Dominus - SOBRE O MÚNUS PASTORAL DOS BISPOS NA IGREJA
Unitatis Redintegratio - SOBRE O ECUMENISMO
Orientalium Ecclesiarum - SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS CATÓLICAS
Inter Mirifica - SOBRE OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

(Veja cada um destes Documentos do Vaticano II, em cerca de 12 línguas, entre elas, o português, acessando o Site do Vaticano).

Como vê, os assuntos tratados e os documentos publicados pelo Vaticano II são de uma grande atualidade. São como uma grande resposta às interrogações de hoje.

É preciso que sejam conhecidos e assumidos na vida de nossas comunidades.

<P>

15 de janeiro de 2012

Como lidar com as perdas

Está sendo difícil para mim compreender a partida de meu esposo. Sinto dificuldade também em ajudar meu netinho que adorava o vovô. Lúcia

É difícil, Lúcia, para a maioria das pessoas interpretar e acolher este momento. Difícil para os adultos e muito mais, para as crianças. Há grupos preocupados e dedicados a ajudar pessoas enlutadas.
Lembro-me, agora, do Raimundo, um senhor muito humilde, da COHAB, onde fiz missão em finais de semana, anos atrás. Num momento de reflexão, o presidente da celebração pediu que conversássemos sobre a fé e a vida, em grupos. Eu era do grupo do senhor Raimundo. E ele nos disse, de forma muito simples:
“Quando nascemos, ao sermos batizados, recebemos uma vela que foi acesa. Durante a vida, conforme vivemos nossa fé, esta vela vai se queimando e diminuindo. No momento de nossa morte, ela se apaga. É o que vemos, mas, na verdade, ela não se apaga. Na verdade, a nossa luz se mistura naquele momento com a luz de Deus!”
Que profunda esta definição do Sr. Raimundo sobre a fé, a vida e a  morte. Nunca vou esquecer este testemunho de fé tão verdadeira.
Outra pessoa da mesma comunidade, já no final de sua vida, deixou-me outra frase cheia de sabedoria: o senhor José. Sabendo que era paciente em fase terminal, quis ajudá-lo e foi ele quem me ajudou quando disse: "Para mim morrer é como trocar uma roupa velha por uma roupa nova. É uma vida nova".
Experimentamos todos nós, o sofrimento, a dor por tantas pessoas queridas que partem deixando-nos surpresos e sem palavras!
Podemos ter esta certeza: nossos amigos e familiares, que partiram, o esposo de Lúcia, brilham muito mais, pois sua luz se confunde com a Luz de Deus. Assim nos garante nossa fé! E o Sr. Raimundo explicou de forma tão simples.
Os bispos, na Conferência de Aparecida, disseram uma palavra fundamentada na Bíblia:
“Por assim dizer, Deus Pai sai de si, para nos chamar a participar de sua vida e de sua glória. Por meio de Israel, povo que fez seu, Deus nos revela seu projeto de vida. Cada vez que Israel procurou e necessitou de seu Deus, sobretudo nas desgraças nacionais, teve uma singular experiência de comunhão com Ele, que o fazia partícipe de sua verdade, sua vida e sua santidade. Por isso, não demorou em testemunhar que seu Deus – diferentemente dos ídolos – é o “Deus vivo” (Dt 5,26) que o liberta dos opressores (cf. Ex 3,7-10), que perdoa incansavelmente (cf. Ec 34,6; Eclo 2,11) e que restitui a salvação perdida quando o povo, envolvido “nas redes da morte” (Sl 116,3), dirige-se a Ele suplicante (Cf. Is 38,16). Deste Deus – que é seu Pai – Jesus afirmará que “não é um Deus de mortos, mas de vivos” (Mc 12,27). (DAp 129).
Apontando para a vida eterna, o último livro da Bíblia diz: “Deus estará com eles. Enxugará as lágrimas de seus olhos e não haverá morte nem luto, nem pranto, nem dor, porque tudo o que é antigo terá desaparecido” (Ap 21,2-4).
O netinho de Lúcia não tem condições de entender tudo isto. Mas, li estes dias e presenteei uma menininha que chorava de saudade do vovô que partiu, um livro muito interessante, intitulado “Que saudades de você...” de Pat Palmer e Eve Ferreti, Paulinas. Pode ajudar.

14 de janeiro de 2012

Ainda existe "O Lutador"?

Edição nº 3732
Sras. Sou assinante da revista Familia Cristã. Minha avó assinava um jornalzinho chamado “ O LUTADOR" também um jornal religioso, gostaria de saber de vocês se ainda existe este jornal, e se existir como faço para assiná-lo? No aguardo. José A.

O jornal "O Lutador" tem tradição e muita história.
No complexo gráfico que é a Editora O Lutador, nasceu primeiro o jornal "O Lutador", em Manhumirim, interior de Minas Gerais. Precisamente no dia 25 de novembro de 1928, saía o primeiro número do semanário, que nunca mais deixaria de viver e lutar pela causa do Evangelho, que em última análise é a causa do homem.
Nas circunstâncias históricas em que foi fundado pelo Pe. Júlio Maria de Lombaerde, o nome "O Lutador" tinha endereço certo e lutas concretas!
A Igreja era acuada publicamente por ataques protestantes, espíritas e maçônicos, e não tinha
como defender-se e mostrar ao povo a verdade da fé católica. O Pe. Júlio Maria fundou o jornal para ter esse espaço e poder responder aos ataques que a Igreja sofria. Mais tarde, o espírito ecumênico que tomou conta da Igreja Católica iria mudar essa posição. Passou da polêmica e do anátema ao diálogo.
A linguagem e as intenções, hoje, são outras. Mas a luta pela Igreja e pelo homem, a vontade histórica continua sendo a mesma. Hoje, os adversários do cristianismo são diferentes. Mas estão aí, agressivos e corrosivos, e precisam de encontrar quem não recuse a luta do esclarecimento e do dever do diálogo, por vezes duro.

Com a morte do Pe. Júlio Maria, em 1944, substituiu-o o Pe. José Batista; depois, o Pe. Antônio Miranda (hoje, bispo emérito de Taubaté, SP), a seguir o Pe. Paschoal Rangel e, enfim, o Pe. Sebastião Sant’Ana - todos da Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, fundada pelo mesmo Pe. Júlio Maria. Pe. Paschoal Rangel assumiu a direção editorial em 1967, trouxe o jornal para Belo Horizonte, em 1972, e imprimiu-lhe uma feição nova, procurando manter uma linha de equilíbrio, sem progressismos, sem reacionarismos: uma linha moderada, mas sem medo de tomar posição; esclarecendo e interpretando fatos e idéias, à luz do magistério da Igreja.

O olhar do teólogo e do filósofo católico passou a orientar as páginas de O Lutador. Pe. Sebastião Sant’Ana modernizou ainda mais o jornal, graças às facilidades oferecidas pela Internet, além de acrescentar a publicação de 3 encartes mensais: Cadernos Missionários, Cadernos de Liturgia e Cadernos de Cidadania.

Os temas e sua periodicidade
O Jornal circula em 3 edições mensais e é composto de 16 páginas. Traz sessões importantes, como Editorial sobre os temas do momento, Igreja Hoje, Crônicas, Respondendo aos leitores, páginas de interesse das pastorais paroquiais (Família, Catequese, Juventude, Espiritualidade, etc.) e espaço para a manifestação dos leitores.

O jornal é distribuído mediante assinatura anual, diretamente na Livraria Online ou pelo telefone 0800-317171.
Conheça e veja mais informações em: http://www.olutador.com.br/

13 de janeiro de 2012

Oração pessoal ou comunitária?

Senhores, tirem essa dúvida minha. No Evangelho diz Jesus: "Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu aí estarei no meio deles" Quero saber se eu rezo sozinho tem o mesmo valor? Abraços-  César

Muito interessante sua pergunta, César.
Olhe, tem grande valor a sua oração individual. O próprio Jesus se retira muitas vezes na solidão, à noite, de preferência na montanha, para orar. E, na sua oração, leva toda a humanidade, glorifica e bendiz o Pai. Reza constantemente. Até na cruz, quando diz: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Jesus também nos diz como devemos orar: podemos entrar no quarto, e rezar “no segredo”. “Quando fores rezar, entra no teu quarto, fecha a porta e reza a teu Pai, que vê o escondido” (Mt 6,6).
Ele diz também: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18,20).
E em vários momentos Jesus esteve em oração com os apóstolos, com o povo, na Sinagoga, no Templo. Entende-se, então, o valor da oração da Igreja. Juntos, em nome dele, do Senhor.
Sugiro a você a reflexão sobre este fascinante tema da oração, no Catecismo da Igreja Católica, dos parágrafos 2559 a 2672.
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